REALIDADE CELESTIAL
Esse pensamento começou em um dia em que eu resolvi ficar no tédio uma tarde toda, apenas lendo, orando e escrevendo, ficando sem telas e sem nenhuma distração.
Para a minha infelicidade, toda essa ideia não durou duas horas. Depois de fazer tudo, de ler, de orar e escrever, percebi que eu queria fazer algo. Mas eu comecei a me questionar.
Por que é tão complicado ficar entediado?
E com isso, percebi que existem ápices na minha vida e que eu acabo me agarrando nesses picos de espiritualidade, achando que desfruto de uma vida e de uma totalidade com Deus.
Na verdade, eu apenas estou vivendo em lapsos espirituais, escondidos em uma vida comum. Percebo que nos apoiamos em coisas clichês – exemplo: trabalho, cansaço e afazeres diários. Também fazemos o mesmo em coisas boas e que “deram certo”. Mas essas coisas não necessariamente indicam uma realidade celestial, apenas são coisas boas ou que deram certo. O problema não é apenas não viver essa realidade, mas não esperá-la. Que o nosso coração seja doutrinado a ter desejo e expectativa por um ecossistema celestial
Pensando no sumo sacerdote, ele se preparava durante um ano (Yom Kippur) para entrar no Santíssimo Lugar e conhecer um pouco mais de Deus. Mas, e se o sumo sacerdote não estivesse puro, santo e irrepreensível? Ele seria morto!
Por quê?
Acredito que ele seria morto porque a realidade comum ofende a realidade celestial. Então, perto de Deus, a minha realidade ofende o Criador.
Pegando todo esse pensamento, assim que essas duas realidades se chocaram, percebi que a maioria dos meus dias são assim, porém, como eu sempre estou participando de algo, então eu posso facilmente me esconder de muitas coisas. Penso também que essas realidades precisam, em algum momento, se chocar. O problema não está em enfrentarmos ela, mas na vida que consegue, enganosamente, viver das duas formas, alternando entre elas. Existe um versículo famoso em que diz "Pode a fonte jorrar do mesmo manancial água doce e água amarga" (Tiago 3).
Trazendo para o meu pensamento, se estamos vivendo realidades opostas, então estamos vivendo uma realidade comum, porque a realidade celestial, naturalmente, não se acopla com nenhuma outra natureza distinta. Não temos mais o perigo de morrer como o sumo sacerdote, mas temos a “boa oportunidade” de viver longe, achando sempre que estamos perto.
